Relatório Anual 2012 Itaú Unibanco Holding S.A.

Contexto

GRI Perfil 1.2

O ano de 2012 nos reservou algumas surpresas. No mundo, esperava-se baixo crescimento e temiam-se vários riscos como quebra do euro, desaceleração forte da China, queda das commodities e a situação fiscal nos Estados Unidos. De fato, o mundo cresceu pouco, perto de 3%, mas os riscos não se materializaram. O Banco Central Europeu anunciou um novo plano de compra de títulos, o que reduziu significativamente as chances de ruptura na região. Os Estados Unidos conseguiram evitar o “abismo fiscal”, e a economia chinesa passou a dar sinais de recuperação no fim do ano. A América Latina, o Chile, o Peru e o México apresentaram bom desempenho e devem manter o ritmo. Essa melhora oferece perspectivas mais otimistas para 2013 e 2014. A economia global começa a se estabilizar, os riscos de ruptura diminuíram consideravelmente e os ajustes necessários estão sendo realizados.

No Brasil, o crescimento do PIB foi aquém do esperado, com queda no investimento e na produção industrial. Apesar da atividade fraca, o mercado de trabalho manteve-se aquecido. O desemprego alcançou 4,6% em dezembro, o menor valor da série histórica. A economia manteve bom ritmo de contratação, e os salários continuaram a subir. O número de pessoas ocupadas cresceu 2,2% em 2012. Os salários reais cresceram 4,1% no período.

A recuperação da atividade ainda é incipiente e incerta, mas pode ganhar força ao longo do ano beneficiando-se da melhora do quadro externo e sustentando-se dos incentivos fiscais e monetários em vigor e das boas condições do mercado de trabalho. Esperamos que o crescimento brasileiro seja em torno de 3% em 2013.

As perspectivas são favoráveis para as commodities em 2013. Os preços dos metais básicos reagiram com a recuperação do crescimento da China. Para a produção agrícola, as condições climáticas permaneceram favoráveis. Esperamos colheitas de verão e de soja bem acima da última safra.

Os juros longos e curtos caíram fortemente em 2012, refletindo não só condições cíclicas como possivelmente uma redução mais persistente. A taxa Selic, que começou o ano em 10,5%, alcançou 7,25%, novo mínimo histórico. Os juros longos acompanharam esse movimento, o que sugere uma mudança de caráter mais permanente na economia doméstica. Frente a pressões inflacionárias no curto prazo, o Banco Central sinalizou manutenção da taxa Selic nos patamares atuais por longo período.

A queda das taxas de juros implica a necessidade de superávits primários menores para manter a trajetória benigna da dívida pública. Nesse contexto, o governo vem implementando um conjunto de desonerações que tem resultado em menos arrecadação. Ao todo, haverá um volume adicional de R$ 18 bilhões em renúncias fiscais em 2013, totalizando um valor próximo a R$ 50 bilhões (1% do PIB) no ano. Entretanto, o espaço fiscal para novas isenções pode estar próximo do limite. A partir de agora, reduções adicionais de tributos deveriam ser acompanhadas por diminuição de gastos ou menor meta fiscal (por exemplo, com maiores deduções do PAC).

A expansão do crédito bancário foi moderada. As concessões de crédito para pessoa física em 2012 apresentaram alta de 2,1% em relação a 2011. De forma análoga, o crescimento para pessoa jurídica foi de 1,6%. O estoque de crédito como proporção do PIB aumentou de 49% em dezembro de 2011 para 53,5% em dezembro de 2012. A taxa de inadimplência (atraso acima de 90 dias) de pessoas jurídicas permaneceu relativamente estável em patamar alto durante todo o ano, ao passo que a de pessoas físicas se elevou durante o primeiro semestre e ficou estável no decorrer do segundo semestre. Entretanto, a taxa de atraso de pagamento (entre 15 e 90 dias) vem mostrado tendência consistente de queda, sinalizando perspectiva de melhora da inadimplência em 2013.

A inflação medida pelo IPCA caiu de 6,5% em 2011 para 5,8% em 2012, mas se manteve acima do centro da meta. Os estímulos à atividade e o câmbio mais depreciado pressionaram a inflação ao longo do ano, contudo as desonerações evitaram elevações maiores dos preços.

A partir de março de 2012, o governo intensificou suas medidas de intervenção, buscando que o real fosse mais depreciado e menos volátil. A taxa de câmbio depreciou 11,8% entre dezembro de 2011 e dezembro de 2012. O dólar foi negociado na maior parte do tempo no intervalo de R$ 2 a R$ 2,10.

Fonte: Relatório Macro Latam Mensal – Janeiro de 2013 – Itaú Unibanco.